A relativa idade (1)

A relativa idade

Sei que a teoria da relatividade é difícil de engolir: 80% das pessoas não a entende e 18 % até a entende, mas não tem fé o suficiente para acreditar nela. Entretanto, que ela está certa, está! E eu posso provar.

Certamente, a maior amostra da veracidade desta teoria é a idade da Bárbara Ricci, minha esposa: quando começamos a namorar, eu era da idade dela; hoje, sou dois anos mais velho.

Já pensei muito sobre isso, contudo só consegui vislumbrar 3 soluções a esse dilema (e quase todas só fazem sentido em um mundo no qual Einstein esteja correto). São elas:

  • As leis que governam as mudanças em quaisquer sistemas físicos tomam a mesma forma em quaisquer sistemas de coordenadas inerciais… com exceção do dia 18 de novembro, que chega menos vezes que os outros dias do ano;
  • Bárb descobriu um (con)fuso-horário relativo no qual o ano passa devagar, provavelmente tendo achado a terra plana, no qual o Sol passa longe, assim como o bom senso e a lógica científica;
  • Ou, ela sofre de uma doença genética causada pela relatividade, que alcançou toda sua família.

Como o Einstein não está vivo e eu não conheço ninguém que entenda de física (a não ser eu), por falta de opção, acredito que a última hipótese seja a correta, haja vista que o mal da relatividade também alcança seus parentes. Por exemplo, quando conheci a Paula Ricci, minha cunhada, ela era muito mais velha do que eu. Atualmente, parece que somos da mesma idade (ainda mais quando estamos na academia)! E tem uma prima/conhecida/ou sei lá o que da família da Barb que fez 39 anos por uns 3 anos seguidos, até que, misteriosamente, o aniversário dela parou de ocorrer anualmente: de um tempo para cá, ele tem ocorrido há cada dois anos (e olhe lá!).

Enfim, a família de Bárbara é uma belíssima forma de comprovar as proposições de Einstein. Infelizmente, a minha não é. Não dá para relativizar a idade dos Nunes: somos acabados demais para isso.

Entretanto não é só a linhagem Ricci que ratifica a teoria! Como vimos, ela apenas prova que a relatividade pode ser um problema genético. Há outros casos que a genética não se aplica.

Citemos o Erike! Para quem não o conhece, é um maldito baiano que era meu amigo até começar a paquerar minha irmã mais nova. Hoje eles são casados, o que não impede que lembremos, diariamente, que recebíamos este infeliz lá em casa, dávamos água e comida (um dia ele comeu Nutella!), enquanto, secretamente, tramava contra a honra da minha família, haja vista que havíamos criado a Gabriela para ser a primeira freira gospel…

Enfim, certa vez, durante uma conversa, perguntaram ao Erike quantos anos tinha. Ele, sorrindo, olhou levemente para a Gabi, que cochichou: “vinte nove”. Só aí, ele falou sua idade.

Nesta sexta, conversando com minha irmã, perguntei sobre o ocorrido e ela me explicou que o Erike constantemente esquece quando nasceu, por isso ela havia dito. Desta informação, retiro dois ensinamentos:

  • A Gab podia ter casado melhor;
  • Por incrível que pareça, a teoria da relatividade também faz efeito no baiano.

Ao que tudo indica, para meu cunhado, o tempo não passa mais rápido nem mais devagar. Ele meramente gasta-o, lendo, em sua rede, livros das 18 línguas estranhas nas quais é fluente (ele fala que consegue entender de árabe à axé, apesar de não ter ninguém que possa confirmar, já que nem os árabes sabem falar árabe, de tão difícil que é, e ninguém, até hoje, perdeu tempo tentando compreender uma letra de axé). Erike, assim, não sofre com problemas genéticos, como a família da Bárbara. Ele é o que Einstein descreveu como lerdeza relativa: quando está deitado em sua rede, simplesmente o tempo não importa.