Ateísmo e (1)

A insistência humana de existir

Os ateus possuem ótimas teorias. Logicamente, são bem trabalhadas, além de apresentarem bons campos para cantadas: “E aí? Vamos nos amar como se não houvesse uma lei atemporal moral universal a nos orientar?”. Entretanto, há uma coisa que os ateus não conseguem explicar: a insistência da raça humana em não se extinguir.

Eles podem teorizar o quanto quiserem, mas o fato é: se não houvesse o amor de Deus, o ser humano não estaria mais aqui. Isso eu sei desde novo, por causa do Johnys, vulgo Jonin.

Quando tínhamos por volta dos 10 anos, eu e Jonin, que é um grande amigo meu, estávamos no clube Topázio. Perambulávamos sem rumo, quando vimos duas garotas na piscina infantil. Eram mais ou menos da nossa idade, ou seja, elas provavelmente também achavam que o Louro José era uma raça falante de ave exótica do Rio de Janeiro.

Após muita insistência, convenci o Jonin a irmos lá, “trocar umas ideias”. Afinal de contas, já éramos quase adultos e eu já tinha até alguns cabelos nascendo no meu queixo (infelizmente, até hoje só nasceram esses mesmos). Como sabia que a chance de meu camarada com qualquer garota era remota, falei para ele ir conversar com a mais bonita (a chance minha era maior com a mais feia, devido a meu desfalque estético exagerado desde a adolescência).

Como nunca tinha feito aquilo antes, ele me pediu conselhos do que falar. Eu, também não fazendo a mínima ideia, fingi experiência:

_ Inventa algo para puxar assunto. Sei lá. Finge! Inventa que é de uma família importante, rico, que seu pai manda bem. Só não fica calado! E não me atrapalha!

Com esses conselhos, fomos até as garotas. Mas era mais difícil do que eu esperava. Ou era mais difícil que eu tinha visto na Malhação, da TV Globo. Falava disso, falava daquilo, mas nada fazia a conversa emplacar. Como meu assunto não rendia, fomos envoltos em um silêncio constrangedor: de quase nada que eu gostava, ela gostava, e, do que gostávamos, eu não possuía dinheiro para comprar (no caso, um pogobol).

Olhei para Jonin, como suplicando uma ajuda (ou, pelo menos, para ver seu fracasso). Entretanto, para meu espanto, percebi que a conversa dele rendia. E como! Não ficava em silêncio nem um minuto! Assustado, ignorei momentaneamente “minha garota” (já tinha percebido que não ia rolar nada mesmo) e olhei para ele, tentando pegar alguma ideia para reestabelecer minha conversa. Foi quando percebi que meu amigo havia levado a sério demais meu conselho e estava contando para a jovem que era filho do Capitão América.

Bem, como podem perceber, minha primeira tentativa amorosa foi um desastre: eu perdi para o Jonin (claro que ele também não arrumou nada, mas, pelo menos, ele a fez rir da história amalucada).

Além de destruir eternamente minha autoestima, aquela experiência me mostrou algo que levo até hoje: como a humanidade não foi feita para seduzir. No fundo, na arte da sedução, todos somos Joninhos, fingindo alucinadamente participar de algum filme da Marvel, enquanto o outro nos olha e ri, diante do caos que nosso delírio criara.

Por isso, aquele dia me ajudou a desmascarar qualquer tipo de tese ateia que tente demonstrar a inexistência de Deus: a humanidade ainda estar viva, geração após geração, é prova da bondade Dele! Sem sua bondade, não haveria macth, cruch, like, cutucadas e nudes! Se dependêssemos unicamente de nós, a humanidade se extinguiria por falta de reprodução.

Enfim, se for paquerar, não seja ateu.