17 nem é idade

17 nem idade é

Outro dia um colega do curso de letras me perguntou o que aconteceu no 11 de setembro de 2001. Fiquei perplexo, mas não especificamente com sua falta de conteúdo. O que me estarreceu foi perceber que, no curso superior, há alunos que não estavam vivos (ou estavam, mas ainda comiam areia no parquinho) em 2001.

Lembro-me de cada segundo daquele dia. Eu fazia uma prova quando tudo aconteceu. Ao sair da escola, me deparei com meu pai, já com o carro ligado. Perguntei se estava tudo bem e ele disse:

_ Rápido, Lucas, vamos pra casa. Acho que estamos em guerra.

O mundo tinha ficado doido, do nada. O inatingível havia sido atingido. Fotos, jornais, chamadas urgentes (com aquela terrível vinheta do Plantão da Globo), tudo era tenebroso. Primeiro um avião, depois outro e outro e outro e outro… Eram tantos caindo que meu pai até fechou a janela da sala, por via das dúvidas.

Estávamos chocados.

Entretanto, hoje, atos terroristas não me deixam tão perplexos assim. Sei – e muito – como estes grupos se espalharam e ganharam força pelo globo. Acostumei com a dor – quase mensal – de ver atos selvagens e irracionais contra civis, seja na Europa, na América, no Oriente Médio, na África (e, convenhamos, no Rio de Janeiro).

Infelizmente, me acostumei…

Ultimamente, o que me deixa perplexo é saber que meu colega possui 17 anos e está na faculdade.

Aliás, há muito tempo que não via um menor de idade! Acreditava, inclusive, que estavam em extinção e que, com sorte, em quatro décadas, o Brasil seria feito exclusivamente de idosos – e, com isso, o Programa do Raul Gil passaria todos os dias da semana, no horário de Malhação.

Afinal de contas, como alguém ainda pode ter 17, em pleno século XXI?

A propósito, para mim, pessoas com menos de 25 anos nem deveriam ter idade. Antes disso, não faz a mínima diferença computar os aniversários, afinal de contas, na juventude, nada de significativo acontece em um ano. Agora, depois de meio quarto de século, tudo pode mudar em 365 dias: você arruma uma dor na lombar, seu joanete estoura, seu joelho começa a doer quando chove…

Nós devíamos ressignificar essa divisão etária arcaica. Em vez de aniversário, devíamos contar marcos, sendo o primeiro só aos 25. Sabe por quê? Por que a Mary Kay tem creme anti-rugas para esta idade… Quando você percebe que há um creme facial destinado a sua faixa etária, sua vida muda. Antes disso, o ser está apenas em uma espécie de estágio probatório.

Seis marcos estariam bons:

  1. Seres que não possuem 25 anos: são os jovens, os quais jamais deveriam ter suas reais idades reveladas (eles deveriam computar apenas internamente). Eles podem errar o quanto quiserem, desde que isso não criem ou acabem com outras pessoas e, no rosto, devem passar apenas aquelas maquiagens com tinta guache (de preferência, pinturas faciais de festas infantis, tipo uma borboleta na bochecha);
  2. Pessoas com 25: é o período de maturidade! Nesta época, você deve começar a juntar dinheiro para comprar cremes faciais para o resto da vida;
  3. Pessoas entre 25 e 30: ainda há tempo de errar, mas, mesmo assim, não se esqueça de passar o creme da Mary Kay – ou vai ser irreversível;
  4. Pessoas entre 30 e 40: fase ideal para criar outras pessoas e começar a usar Bepantol perto dos olhos, já que a Mary Kay não gera mais resultado;
  5. Pessoas entre os 40 e 60: época de se preparar para a aposentadoria e começar a misturar Bepantol com Hipoglós antes de aplicar nas olheiras;
  6. Pessoas acima dos 60: período de se pensar na aposentadoria (mas, se o Temer for reeleito, vai ser só pensar mesmo). Nesta fase, o ideal é passar Bepantol com Hipoglos com creme de aveia com talco e Coca Cola três vezes ao dia…

Acho que assim todos ficariam felizes, já que, oficialmente, as pessoas de 17 anos não existiriam…