Stranded

É você, Satanás?

A internet mundial parou esta semana após o fim da série “Lucifer”. Milhares de twitters raivosos eclodiram por todos os lados, houve greve de fome, manifestação na frente da emissora FOX… Nunca, desde que os anjos caíram, eu vi tanta gente torcendo pelo Capiroto! E olha que, neste meio termo, tivemos o Mister Satã, no Dragon Ball Z.

Agora, o que me parece estranho é que justamente no Brasil, o único país do mundo onde uma emissora como o SBT poderia existir, houve abaixo-assinado contra o cancelamento da atração! Mas, veja bem: “Lucifer” é um programa no qual o Sete-Pele ajuda a polícia a solucionar crimes… Bem, com um enredo desse, é lógico que seria cancelado! O Cão ajudando a polícia? Isso só teria algum sentido se a série passasse no Rio de Janeiro.

E eu não sei se você sabe, mas ela já tem 55 episódios! De uma hora cada! Caso seja de humanas, eu vou ajudar: dá aproximadamente 55 horas. Se fosse uma produção do SBT, tenho certeza que o Sílvio Santos poderia transmiti-la pelas próximas 3 ou 4 décadas!

Como alguém pode ver algo que dure 55 horas? De onde este pessoal arrumou tanto tempo? Poxa, acho que isso é reflexo de uma sociedade brasileira atual que nem os maiores sociólogos dos anos 80 e 90 podiam prever: uma sociedade cheia de desempregados.

E eles são cada vez mais comuns: estão sempre “maratonando” algo por aí, descobrindo séries que ninguém nunca viu ou lendo textões na internet para que possam fazer seus próprios textões. Hoje, acho que não podemos sequer ser chamados de país do futebol. Eu quase não escuto mais aquelas agradáveis conversas de corredores:

_ Viu que o cruzeiro ganhou?… E o seu São Paulo?

_ Ehhhhnnn…

Aliás, conversas agradáveis se você não é são paulino.

O que eu vejo destoa completamente disso:

_ E Greys Anatomy? Viu o último episódio?

_ Não! E vê se não dá spoilers!

Oxi, então é assim? Esquecemos o futebol e, para piorar a situação, nem podemos falar do que vimos, se não vamos estragar? Ora, quando éramos o país do futebol, esses avisos não aconteciam. Eu, torcedor são paulino, por exemplo, começava a ver o campeonato Brasileiro já sabendo que o São Paulo ia perder… E nem por isso eu reclamava de spoilers.

Realmente, eu fico preocupado com este abaixo-assinado. Nunca foi do feitio da nossa sociedade fazer coisas assim. Basta pensar na nossa sitcom favorita. No fim do episódio da “Boa Vizinhança” (aquele do “Mamãe Querida” e do “Cão Arrependido”), o senhor Madruga diz que continuaria a festa no dia seguinte, no mesmo horário e canal. Mas nós sabíamos que não aconteceria!

No outro dia, o SBT tinha mudado a programação e, em vez de Chaves, estava passando “A Usurpadora”. E nós sofríamos? Não! Pois fazia parte da formação moral e intelectual de um brasileiro médio ser enganado pelo SBT… assim como a Paulina enganava o Carlos Daniel…  

Por isso, acredito que reclamar do fim de “Lucifer” contraria a essência do ser brasileiro. É um absurdo você reclamar que uma série foi cancelada, só porque ela não tem final. Temos que aprender mais com os ensinamentos do bom velhinho Sílvio Santos: não importa como tudo começa ou termina! O importante é como reprisa.