A insistência persistente2

A insistência persiste

Na vida, precisamos ter insistência. E olha que não estou falando de persistência!

Persistente é aquele jovem (ou aquela jovam) que, quando você dá um fora, te liga, fingindo que nada aconteceu, chamando para ver um filme da Sandra Bullock. Ou seja, ele não se abate, mantem firme e estabelece estratégias, pois sabe que, no fim de uma comédia romântica, todo mundo beija.

Já o insistente, não! Ele vai além disso, a ponto de perder a noção dos limites da dignidade (por isso, viram “tiozão” antes dos trinta – ou, em alguns casos, são presos). Eu sei que são chatos! Entretanto, se você almeja alguma coisa na vida (que não seja amorosa), terá que ser insistente, pois, quando o Universo percebe que você quer algo do fundo do coração, ele olha na sua cara e diz:

_ Fodas!

Quer ser rico? “Fodas! Vai nascer no Brasil”. Quer ser feliz? “Fodas! Seu vizinho vai ouvir Luan Santana este fim de semana”. Quer arrumar namorada? “Fodas! Vai nascer com essa cara do espantalho do Fandangos”.  

E nós temos grandes exemplos de insistência em nosso país: Negueba tenta ser jogador de futebol há cinco anos, João Leite quer ser prefeito de BH há 20 anos e eu tento entender os curtas do Canal Brasil desde que comprei TV a cabo…

Mas, talvez, o maior exemplo seja o Neymar e sua vontade de ser amado. Chegou ao ponto de inventar um comercial de quase 7 minutos no meio do Fantástico. Ao final, boquiabertos, todos ficamos nos perguntando: “Por que ele quer mesmo que gostemos dele? Será que a Bruna Marquezine não está dando conta do recado? E o que a Gilette tem a ver com isso? Será que eu tenho que fazer barba amanhã?”. Mas nem tente procurar respostas! Se você é uma pessoa normal, nunca entenderá a cabeça de um insistente.

Para mim, que sou insistente (mas não no level Neymar), jogar futebol é só mais um emprego e, como qualquer emprego, se ganhar seu salário no fim do mês, você já é um vitorioso. Mas para o menino Ney isso não basta! É tão carente que é quase um dos atendentes da loja Renner, que ficam na saída perguntando:

_ Oi, gostou do nosso atendimento?

Eu, claro, sempre marco a opção “MUITO BOM”, já que o voto não é secreto: o funcionário, além de perguntar, indica onde apertar e fica olhando enquanto acionamos o botão. Tenho medo de colocar “INSATISFEITO” e ele gritar comigo:

_ Aaaaah, fila da égua! Vou encher sua roupa de imãs para apitar na hora que você for sair da loja!

Para curá-lo de sua interminável carência, acredito que Neymar deveria passar uma semana trabalhando comigo, na Delegacia de Polícia. Enquanto, por exemplo, a Bárbara, minha esposa, que é professora, já ganhou diversos presentes de suas alunas (bolo, coxinha, lápis de cor, cartinhas), eu, por outro lado, nunca ganhei nada das pessoas que já prendi. Nada! Malditos ingratos… E, se tivesse uma mulher da Renner no fim da Delegacia perguntando se estamos agradando, tenho certeza que a maioria apertaria o botão: “SE PUDESSE, DAVA UMA CHINELADA NAS COSTAS DELE”. Uma pena! A maioria não entende que nossa relação é estritamente profissional: eu quero prender, eles querem fugir.

O Neymar tem que perceber que ele não nasceu para ser professor. Nunca vai ser a Bárbara! Tem gente que nasceu para ser policial… E, se insistir mais nisso, vai virar tiozão com 28 anos.

Enfim, eu sei que no começo do texto eu tinha dito que você deveria ser mais do que persistente. Que tinha que ser insistente! Mas, sabe de uma coisa, deixa para lá… Se puder escolher, só não seja o Neymar.